Sabia que o jeans brasileiro é muito bem conceituado lá fora? É verdade.
Ele já foi até chamado de “milagroso” pelas revistas de moda. E esse milagre, segundo admiradores internacionais, é que além de um bem cortado ele arrebita o bumbum. Comparado ao Wonderbra, sutiã inglês que ficou conhecido por combater a lei da gravidade, seria o jeans brasileiro o Wondebra do bumbum.

A explosão do nosso jeans aconteceu devido às famosas que procuram a sensualidade, a valorização do corpo e o ajuste perfeito das calças produzidas por aqui. Artistas como Alanis Morissette, Christina Aguilera, Meg Ryan, Jennifer Lopez e Britney Spears foram as primeiras a circular com marcas brasileiras.

O jeans brasileiro ficou reconhecido pela invenção da cintura baixa (perfeita para o corpo das brasileiras) e pelo índigo com tactel, que deixa a calça 30% mais leve. Já o corte que arrebita o bumbum não veio de graça e tem uma explicação técnica: por ser mais alto atrás e nas laterais, muito mais baixo na frente, ajusta-se melhor nos quadris, caimento produzido só por nós.

Grande produtor

Mas, não é somente nossas peças prontas que fazem sucesso lá fora. O Brasil já é o terceiro maior produtor de denim (matéria-prima do jeans) do mundo, perdendo apenas para a China e para a Turquia. Não é a toa que grandes empresas nacionais estão investindo forte em inovação, produção e exportação. Junte a isso a criatividade dos estilistas brasileiros e a já consagrada sensualidade brasileira e temos o Brasil como referência internacional em jeanswear.

Todo esse investimento deu as empresas brasileiras o status de fornecedora de grifes como Zara, Calvin Klein, Miss Sixty, Replay, quase todas usam denim produzido aqui.

Baixo exportador

Apesar disso, o Brasil está apenas na nona colocação no ranking de maiores exportadores, perdendo para países como China, Estados Unidos e Índia.

O País já exportou mais denim. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), em 2012, o Brasil exportou pouco mais de 218 quilos do tecido e em 2009, o número foi de 277,5 quilos. O foco das exportações brasileiras é o Continente Americano, principalmente a América Latina. A capacidade instalada de produção do País por ano é estimada em 600 milhões de metros lineares. Cerca de 95% dessa produção é consumida internamente, colocando o País entre os três maiores mercados consumidores de denim no mundo.

O impacto mundial da flutuação do câmbio, o fechamento de mercados de países como a Argentina e a Venezuela e a concorrência desleal chinesa são fatores que contribuíram para a diminuição da exportação brasileira nos últimos anos. Para o diretor superintendente da Abit, Fernando Pimentel, o setor, que emprega mais de 300 mil brasileiros, foi prejudicado por acordos internacionais como o Tratado Americano de Livre Comércio (Nafta), pois o México passou a comercializar com os Estados Unidos com tarifa de importação zero. Para comercializar com o Brasil, o imposto chegava a 17,5%. “O Brasil tem potencial para ser um grande exportador, atendendo o mercado mundial e local do tecido. As empresas estão inovando, trabalhando com estilo e design. Precisamos da capacidade de investir sistemicamente e isso depende do governo, de um câmbio mais favorável à exportação e de um sistema tributário menos oneroso e complexo”, explica.

Concorrência

A invasão de produtos chineses no mercado mundial ocasionou uma concorrência desleal, pois o produto chinês tem um custo muito baixo. Segundo Pimentel, o produto fabricado lá fora estaria entre 20% e 30% mais barato. De acordo com ele, a melhora na exportação do setor depende também de acordos já iniciados com a União Europeia e de como a Argentina vai se comportar em relação a suas políticas de importação, pois é um grande comprador do denim brasileiro.

É preciso considerar também a Turquia, que sai na frente do Brasil pois tem imposto zero, comenta Alessandra Andrade Leonel, diretora de exportação da Cedro Cachoeira, presente no mercado de denim há mais de 30 anos e produzindo 4 milhões de metros lineares por mês, para vender para a Europa. “Além do problema da concorrência desleal com a China, o mercado externo é muito focado em distribuição e o Brasil perde porque, para exportar para a Europa, por exemplo, são no mínimo 60 dias entre produção e entrega. O mercado europeu demanda produtos de pronta-entrega”, explica. Mas apesar das dificuldades de exportação, a executiva afirma que o Brasil é referência na América Latina por ser muito inovador.

Ou seja, aquela teoria que muitos tem de achar que produto que vem de fora é melhor que o nosso, tá furada. Nosso jeans está entre os melhores. Então use e abuse!

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