SOPRO DO GIGANTE | Novo parque eólico argentino tem 43 turbinas com 80m de altura e hélices de 90m de diâmetro ao custo de US$4 milhões cada

É preciso equilíbrio para não ser derrubado pelas rajadas de vento gelado que viajam por muitos quilômetros sem encontrar obstáculos. Ao lado de arbustos de jarilla, única planta que sobrevive neste tipo de clima, brotam 43 turbinas de 80 metros de altura. Inaugurado neste ano, o Parque Eólico de Rawson, na Argentina, é parte de uma série de iniciativas que fazem a Patagônia ser chamada de a Meca da energia eólica na América do Sul.

A região, conhecida pelas excelentes condições para instalar turbinas eólicas (ventos fortes e constantes), se tornou o foco de um plano de expansão no setor. “O potencial eólico é enorme. Estima-se que a Patagônia sozinha poderia fornecer eletricidade suficiente para o consumo do Brasil inteiro”, diz Alejandro Ivanissevich, presidente da Emgasud, companhia responsável pela construção do parque. As turbinas do projeto, que custaram US$ 4 milhões cada, fornecem eletricidade a 100 mil casas. Mas isso é apenas o começo. A empresa está investindo US$ 1,8 bilhão para produzir 1.000 MW de energia elétrica com tecnologia eólica, solar e de biogás. A maior parte desse dinheiro já está financiando a construção de uma nova rede eólica quase 3 vezes maior que a de Rawson, com 120 turbinas, em Puerto Madryn, também na Patagônia.

Para a Argentina não se trata apenas de uma escolha ecológica, mas de uma necessidade. “Nossa matriz energética é baseada em gás natural. Dependemos em mais de 50% dessa fonte de energia. Produzíamos muito gás, mas isso já não é mais verdade”, diz Ivanissevich. O país, que antes era exportador de gás natural, passou a importar o recurso da Bolívia, e deve gastar US$ 15 bilhões com isso neste ano.

A energia eólica é a solução mais lógica. Só que o sonho de povoar a desértica Patagônia de turbinas quase sem impacto ambiental ainda está longe. “O problema não é produzir energia, mas encontrar uma maneira de transportá-la para os centros de consumo”, diz Ivanissevich. Ao contrário do que ocorre com oleodutos e gasodutos, ainda não há infraestrutura para levar a eletricidade das áreas desabitadas com muito vento para os grandes centros do país. Mas isso não tem impedido o governo argentino de investir pesado no setor. Só no ano passado, o país dobrou a sua capacidade de produção de energia eólica — que, no entanto, ainda é menos da metade da que existe no Brasil.

 

 

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