Bordados que fazem a cabeça das mulheres hoje em dia já eram moda e tendência desde 1970

Esqueça aquele jeans básico. Hoje, a peça de denim mais conhecida e usada em todo o mundo se encaixa até mesmo entre as peças luxuosas. Do rasgado ao bordado, os diversos estilos e modelos fazem com que o item possa ir do despojado à festa.

A história e relação forte do jeans com a sociedade teve início no século 19, em 1850, quando os Estados Unidos estavam no auge da corrida pelo ouro e os trabalhadores das minas tinham que substituir frequentemente suas roupas, que rasgavam facilmente devido ao grande esforço que faziam durante o trabalho.

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Fonte: Consciência Jeans

Para solucionar esse problema, Levi Strauss, que viria a se tornar o fundador da famosa marca de jeans Levi’s, teve a ideia de fazer peças mais resistentes com lona, material vendido por ele mesmo na época. A durabilidade do modelo chamou a atenção das pessoas e o sucesso foi instantâneo. Despretensioso, o fabricante jamais pensou que o jeanswear se tornaria tão desejado.

A fama veio mais tarde e bem lentamente. A peça voltou na década de 1930, quando atores de filmes de faroeste passaram a usá-la e o jeans se tornou símbolo de virilidade. Mas foi a partir de 1950, que o modelo se tornou um símbolo de juventude e rebeldia eternizado por figuras importantes, como Elvis Presley e Marlon Brando e passou ser uma roupa feminina.

O sucesso continuou nas décadas seguintes, principalmente entre os anos de 1960 e 1970, quando a peça se popularizou entre os jovens e celebridades, simbolizando a liberdade de expressão e a ruptura com o tradicionalismo. Eram os anos da inovação, da ascensão da cultura alternativa ou cultura marginal, focada nas transformações da consciência, dos valores e do comportamento. Eram tempos de mudança e o jeans representava isso.

Para provar isso, diante de milhões de pessoas, Jimi Hendrix subiu no palco com uma calça jeans surrada. A peça se tornou tão popular que outras peças começaram a ser fabricadas com o tecido. Além disso, novos adereços passaram a fazer parte do estilo e, agora, existiam cada vez mais jeans feminino.

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Fonte: Reprodução

A influência dos artistas e dos hippies deu origem à forma boca-de-sino, à cintura baixa, ao surrado e aos modelos bordados e recortados. Na decoração valia tudo: linhas coloridas, tinta, contas, conchas, rebites, franjas, camurças, bijuterias, brilho e tudo mais que pudesse ser aplicado.

A história do bordado no jeans, aliás, se confunde à do movimento hippie. O movimento, que pregava o lema “faça amor, não faça guerra”, enfatizava também o poder dos trabalhos manuais, o consumo consciente e a necessidade de ligar menos para o visual e mais para o que estava ao seu redor. Se colocarmos nos padrões atuais, o sistema funcionava de maneira sustentável e consciente.

Dessa forma, estilistas como Emilio Pucci, Zandra Rhodes, Valentino, Bill Gibb e Yves Saint Laurent tentaram abraçar a estética hippie, mas não conseguiram se impor devido ao slogan “faça você mesmo”, tão presente no estilo. Somente no final da década que o consumismo e o movimento mais comercial conseguiu impregnar a cultura hippie.

Hoje, mais de 40 anos depois, os bordados voltaram em tons mais sofisticados, com foco em modelos étnicos, florais ou com aplicações de pedras ou pérolas. E se antes eles não conseguiam ser fabricados por grandes marcas, atualmente os mais bonitos podem ser encontrados na última coleção das marcas Chanel, Versace e Balmain. O consumo consciente deu espaço para o compulsivo e a produção mais manual para as fábricas.

Com foco no desenvolvimento sustentável e na redução da pegada de carbono, no entanto, as fabricantes do tecido estão tentando mudar essa realidade com a criação do jeans ecológico. Ainda assim, há muito o que se fazer e o que se aprender com aqueles jovens dos anos de 1970.

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